O ramo da medicina que estuda diversos fatores que interferem na propagação e difusão das doenças, assim como a frequência, o modo de se distribuir, evoluir e também as formas de prevenção, é a epidemiologia. É relativamente uma ciência básica e importante para diversas áreas da saúde: enfermagem, fisioterapia, medicina, educação física, nutrição, farmácia, psicologia, gerontologia, terapia ocupacional, odontologia e biomedicina, dentre outras. Conhecer seus conceitos, objetivos e histórico é o primeiro passo para entender essa ciência.
Ao final desta aula, você será capaz de:
Caro(a) estudante, a epidemiologia é definida pela Associação Internacional de Epidemiologia (IEA, sigla em inglês) como o estudo dos fatores que determinam a frequência e a distribuição das doenças em populações. A área clínica é dedicada ao estudo da doença no indivíduo, analisando casos individuais. Já a epidemiologia dedica-se aos problemas de saúde em populações, ou seja, grupos de pessoas. Esses grupos variam de pequenos a grandes, sendo estes últimos a maioria. A epidemiologia e a demografia têm muito em comum, pois as duas estudam populações.
De acordo com Medronho et al. (2008), ao longo dos anos da ciência, a epidemiologia tornou-se uma área ampla, já que abrange diversas áreas do conhecimento, principalmente da saúde, e possui algumas subdivisões:
A epidemiologia pode ser definida também como o estudo da frequência, da distribuição e dos determinantes dos estados ou eventos relacionados à saúde em específicas populações e a aplicação desses estudos no controle dos problemas de saúde (RUOQUAYROL; GURGEL, 2017, p. 12).
Trata-se de uma disciplina fundamental na área da saúde coletiva e pública, direcionada para compreender o processo saúde-doença em populações, como coletividades, sociedades, classes sociais, comunidades e grupos específicos. A epidemiologia não é apenas uma disciplina teórica, pois, em muitos momentos, é essencialmente prática. A epidemiologia abrange grandes áreas e possibilidades de uso na saúde pública, principalmente no que se refere ao seu papel no desenvolvimento de estratégias de proteção à saúde e promoção da saúde. É essencial na formulação de políticas de saúde.
Indico a você a leitura do artigo “Epidemiologia, atividade física e saúde”. Veja que a epidemiologia também está presente na área da atividade e do exercício físico. Segue o link: <https://portalrevistas.ucb.br/index.php/RBCM/article/viewFile/463/489>. Acesso em: 23 maio 2019.

A epidemiologia estuda o que chamamos de “processo saúde e doença”, em populações, ou seja, em coletividades humanas, buscando analisar os fatores determinantes das doenças assim como a sua distribuição, eventos associados à saúde coletiva, danos à saúde e também propondo medidas de controle, prevenção ou erradicação de doenças, podendo fornecer indicadores que sirvam de suporte ao planejamento, administração e avaliação das ações de saúde.
Fonte: Jekel, Elmore e Katz (2005).
O termo “epidemiologia” significa o estudo sobre a população. Quando direcionado para a área da saúde, tende a ser compreendido como o estudo sobre o que afeta a população. A epidemiologia engloba técnicas e métodos estatística, das ciências biológicas e das ciências sociais. É bastante ampla a área de atuação da epidemiologia.
Fonte: Fletcher, Fletcher e Fletcher (2014).

Com certeza, você já ouviu falar em Saúde Pública e Saúde Coletiva, correto? No Brasil e no mundo todo, a epidemiologia sempre esteve inclusa na saúde pública e da saúde coletiva. E nunca se desenvolveu, seja como disciplina científica, seja como campo de práticas, separadamente do campo que hoje denominamos de Saúde Coletiva.
Saúde Coletiva é uma graduação com duração de quatro anos, responsável em graduar profissionais especializados em atuar na aplicação conhecimentos e técnicas que possam intervir nos problemas de saúde, tendo o objetivo de promover melhorias da qualidade de vida das pessoas.

A epidemiologia busca entender que os eventos relacionados à saúde, geralmente, e quase sempre, não são distribuídos por acaso entre as pessoas e populações. Por exemplo, alguns grupos populacionais apresentam mais casos de certa doença e condição de saúde do que outros; há outros que morrem mais por determinada doença. Isso não ocorre por acaso. Ocorrem porque os fatores que influenciam o estado de saúde das pessoas não são distribuídos igualmente na população, ou seja, acometem mais alguns grupos do que outros (MEDRONHO et al., 2008).
Em síntese, podemos afirmar que as doenças e as condições de saúde são distribuídas na população por meio de influência de aspectos socioculturais, biológicos e econômicos da comunidade e dos indivíduos, e pelos aspectos ambientais do seu entorno. Diante disso, o processo saúde-doença se manifestará de forma diferente entre as pessoas e populações. Pode-se observar que os conceitos descritos anteriormente, durante a história da epidemiologia, precisaram ser reformulados, visto que as descobertas científicas avançaram no campo da saúde, principalmente no que se refere ao processo saúde-doença, que será abordado nesta aula.
É bastante antiga e dinâmica a história da epidemiologia. Advêm da Grécia Antiga os primeiros registros sobre a concepção da epidemiologia enquanto uma manifestação da doença nos indivíduos e nas populações. Esse foi um período em que se acreditava que as doenças e seus desfechos, e demais condições de saúde, eram consequências da indulgência ou punição dos demônios e deuses. Hipócrates, um médico grego, foi contrário a essa crença, depois de analisar o processo de se adoecer com base no pensamento racional. Ele se afastou das teorias sobrenaturais da época. Hipócrates introduziu o conceito de doença como sendo produto das relações complexas entre o indivíduo e o ambiente que o cerca (MEDRONHO et al., 2008).
Caro(a) aluno(a), indico a você a leitura do artigo “Conceitos de saúde e doença ao longo da história sob o olhar epidemiológico e antropológico”. Segue o link: <http://www.revenf.bvs.br/pdf/reuerj/v17n1/v17n1a21.pdf>. Acesso em: 23 maio 2019.

Galeno, médico, na Roma Antiga, manteve a teoria de Hipócrates, mas, por perder força, foi substituída pela teoria miasmática ou e teoria dos miasmas, que permaneceu até meados do século XIX. Segundo a explicação da teoria dos miasmas, a má qualidade do ar era a causa das doenças. Já na segunda metade do século XIX, uma grande evolução ocorreu na epidemiologia, isso por meio dos pioneiros estudos pioneiros sobre a epidemia de cólera em Londres do sanitarista e médico britânico John Snow (Figura 1) (JEKEL; ELMORE; KATZ, 2005).

John Snow, com base no mapeamento (Figura 2) dos casos de óbitos, do comportamento da população, relacionado ao consumo de água, e dos fatores ambientais da localidade em estudo, conseguiu determinar o consumo de água contaminada como o principal responsável pela ocorrência da doença, a cólera. Porém, apenas 30 anos depois, esta constatação se confirmou destacando o isolamento do agente causal (etiológico) (JEKEL; ELMORE; KATZ, 2005).

Esse feito deu a Snow o título de “Pai da Epidemiologia”, já que conseguiu, por meio de um minucioso e extenso estudo de investigação científica, determinar a origem de infecção da cólera mesmo sem conhecer seu agente causal. Ao final do estudo, as características clínicas da doença revelavam que
[...] o veneno da cólera entra no canal alimentar pela boca, e esse veneno seria um ser vivo, específico, oriundo das excreções de um paciente com cólera. [...]. John Snow declarou que o insuficiente esgotamento permitiu que os refugos perigosos dos indivíduos com cólera se infiltrassem no solo e poluíssem poços (MEDRONHO et al., 2008, p. 14).
No século XIX, o francês Louis Pasteur (1822-1895) foi outro cientista marcante (Figura 3), considerado o “Pai da Bacteriologia”. Ele identificou várias bactérias e tratou diversas doenças. Pasteur influenciou a história da epidemiologia, já que inseriu a biologia no estudo das doenças infecciosas, o que determinou o agente causal das doenças e possibilitou o estabelecimento futuro de medidas de prevenção e tratamento (MEDRONHO et al., 2008).

Nos séculos XIX e XX, em especial, ocorreu influência da área da microbiologia na epidemiologia, já que permitiu não apenas identificar as principais causas envolvidas na transmissão de doenças infectocontagiosas – que eram responsáveis por taxas altas de morbimortalidade (tuberculose, peste, influenza, varíola, entre outras), mas também o desenvolvimento de medidas de prevenção e tratamento dessas enfermidades.
Nessa mesma época, a epidemiologia ganhou destaque acadêmico e científico, por meio da construção de alguns institutos de pesquisa no Brasil e no mundo, como, por exemplo, a Fundação Oswaldo Cruz, o London School of Hygiene & Tropical Medicine e o Instituto Pauster, dentre outros. Nesse período, houve também a ampliação da área de atuação da epidemiologia, culminando na subdivisão da epidemiologia, como, por exemplo, a Epidemiologia Nutricional. Esse ramo da epidemiologia defende que as causas de algumas doenças tidas como infecciosas eram, na realidade, de natureza nutricional. Por exemplo, temos a prevenção do escorbuto (causada pela deficiência severa de vitamina C), do beribéri (deficiência de tiamina – vitamina B1) e da pelagra (deficiência de niacina) (MEDRONHO et al., 2008).
Do final do século XX até os dias atuais, firmou-se a epidemiologia ciência, basicamente baseada em evidências científicas e pesquisas, sempre focando na determinação das condições de saúde da população, além de efetuar uma busca sistemática dos agentes etiológicos (causais) das doenças, condições de saúde ou dos fatores de risco envolvidos no seu aparecimento, por meio de diferentes tipos de estudos, além da avaliação de intervenções em saúde para o efetivo controle das doenças que acometem a população.
O “processo saúde-doença” define todas as variáveis envolvidas no estado de “saúde” e “doença” de um indivíduo ou de uma população, levando-se em conta que ambos os estados estão interligados e são consequências dos mesmos fatores. Esse termo refere-se ao modo pelo qual ocorre, nos grupos da coletividade, o processo biológico de desgaste e reprodução, destacando como momentos particulares a presença de um funcionamento biológico diferente, com consequências para o desenvolvimento regular das atividades cotidianas (ALEXANDRE, 2012).
A essência da saúde e da medicina representa um reflexo de muitos teóricos médicos, entre eles Galeno, um médico grego que documentou o conhecimento e a especulação médica de sua época. Segundo ele, a saúde era o equilíbrio entre as partes primárias do corpo.
Na Antiguidade clássica, Galeno estabeleceu a teoria das latitudes de saúde, que se divide em saúde, estado neutro e má saúde. Ele afirmava que essas dimensões poderiam ocorrer de forma isolada ou em combinação de uma com as outras. Nove combinações eram possíveis. Esse esquema foi utilizado por mais de mil anos na medicina ocidental (ALEXANDRE, 2012).
Acreditava-se, ainda na Antiguidade, que as doenças teriam como causas alguns elementos naturais ou sobrenaturais. Essa era chamada Fase da Magia. Nesse período, era por meio da filosofia religiosa que se dava a compreensão das doenças. Já na medicina hindu e chinesa, a doença era resultante do desequilíbrio do organismo humano, ou seja, causas naturalizadas. As causas eram relacionadas ao ambiente físico, aos astros, ao clima, aos insetos e até aos animais. Para os gregos, os fatores externos eram as causas das doenças. Para alcançar a harmonia perfeita do corpo humano, deveriam, então, ser consideradas as estações do ano, as características do vento e da água. Nesse período, inicia a ideia empírica do contágio, também chamada de Fase de Contágio (MEDRONHO et al., 2008).
As causas das doenças, na Idade Média, retornam ao caráter filosófico religioso. Porém, com as crescentes epidemias no final desse período, retoma-se a ideia de contágio entre os homens, sendo as causas a conjugação dos astros, o envenenamento das águas pelos leprosos, judeus ou por bruxarias. No Renascimento, os estudos empíricos originam a formação das ciências básicas e vem à tona a necessidade de descobrir a origem das matérias que causavam os contágios. Surge a teoria miasmática. Do fim do século XVIII ao início do século XX, a medicina social criou as condições de salubridade, que eram adequadas à nova sociedade, e abriu espaço para que a prática médica individual viesse gradativamente a ocupar o lugar central nas práticas de saúde (MEDRONHO et al., 2008).
A bacteriologia aparece no século XIX, assim como a concepção de que para cada doença há um agente etiológico que poderia ser combatido com produtos químicos ou vacinas. No entanto, no século XIX se fortalece a biologia científica, sem influência externa da filosofia e da religião. Assim, cresce a patologia celular, a fisiologia, a bacteriologia e o desenvolvimento de várias pesquisas. Passa, dessa forma, a medicina de ciência empírica para ciência experimental (ALEXANDRE, 2012).
O termo doença pode ser caracterizado como uma anormal condição que pode afetar negativamente a função (fisiologia) e/ou estrutura (morfologia) de parte de um organismo ou de todo ele, e que não é causada por um trauma físico externo. As doenças são interpretadas frequentemente como condições médicas que são associadas a sintomas e sinais específicos.

A partir daí, a medicina moderna direciona sua atuação para o corpo, para a doença, buscando um estado biológico normal, exigindo, desse modo, alta tecnologia e elevados custos. Ressalto que a saúde e a doença na cultura ocidental apresentam diferentes realidades. É fragmentado o conhecimento sobre o corpo, com perspectivas teóricas redutoras do conhecimento biológico, psíquico e social. Nesse sentido, o conceito moderno de doença compreende a análise estrutural da matéria e corpo, fundamentada na anatomopatologia (MEDRONHO et al., 2018).
A saúde, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), pode ser considerada um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doenças.

No século XX, aparece a multicausalidade, a qual trazia que os fatores etiológicos das doenças eram relacionados ao agente etiológico, ao hospedeiro e ao meio ambiente. Porém, as causas agiam separadamente. Ainda no século XX, passou-se a considerar também os fatores psíquicos como causadores de doenças. Dessa forma, o homem, então, começa a ser visto como um ser bio-psico-social. Em síntese, o pensamento científico na Idade Moderna tende à redução, à objetividade e à fragmentação do conhecimento, traduzindo os acontecimentos por meio de formas abstratas, demonstráveis e calculáveis.
Já na contemporaneidade, surge uma complexidade na discussão científica, tentando explicar a realidade ou sistemas vivos por meio de modelos que procuram não apenas integrar as partes e descrever elementos de objetos, mas também levam em conta as relações estabelecidas entre eles. Os conceitos simplesmente se concretizam pelo modo de vida e comunicação sobre a vida. Porém, existe mais de um conceito sobre saúde e doença, como já vimos anteriormente. Isso reforça a necessidade de os profissionais não trabalharem com conceitos estagnados que impedem o conhecimento da realidade (FLETCHER; FLETCHER; FLETCHER, 2014).
Alguns fatores têm merecido destaque na atualidade para definir saúde e a sua própria normalidade. Quando se pensa em normal, pensa-se na frequência de um determinado fenômeno como sendo o estado mais comum possível. Determinando, assim, o estado mais frequente, determina-se o mais saudável. Esse princípio de definição é utilizado nas diversas áreas da ciência. Porém, a saúde e a doença envolvem dimensões muito subjetivas e não apenas biologicamente científicas e objetivas, e há variação na normatividade que define o normal e o patológico.
Podem ser verificadas historicamente as variações das doenças, principalmente em relação ao seu aparecimento e desaparecimento, aumento ou diminuição de sua frequência, da menor ou maior importância que adquirem em variadas formas de organização social. Torna-se, então, necessário o redimensionamento dos limites da ciência, ampliando a sua interação com outras formas de se apreender a realidade, sendo preciso inovar na forma de se utilizar a racionalidade científica para explicar a realidade e, principalmente, para agir. Diante disso, a atenção à saúde, na atualidade, requer mudança na concepção de mundo e na forma de utilizar o conhecimento em relação às práticas de saúde, voltando o seu enfoque especialmente para a promoção da saúde (FLETCHER; FLETCHER; FLETCHER, 2014).
A promoção da saúde é muito mais do que uma aplicação técnica e normativa, ou seja, está relacionada à potencialização da capacidade individual e coletiva das pessoas para conduzirem suas vidas frente aos múltiplos condicionantes da saúde. Isso significa que é preciso estar atento aos acontecimentos atuais, pois nos mobilizam para intervir de forma mais efetiva nos contextos vulneráveis. A promoção da saúde envolve as escolhas relacionadas aos valores e aos processos que não se expressam por conceitos precisos e mensuráveis. Diante disso, termos novos vêm sendo desenvolvidos atualmente, tais como: empowerment e vulnerabilidade, o que permite abordagens transdisciplinares, envolvendo outras áreas do conhecimento além de muitos significados que se originam da consideração da diferença, da subjetividade e da singularidade do que acontece na esfera individual e coletiva.
O conceito de saúde mais difundido até hoje é da OMS, de 1948. O órgão afirma que a saúde compreende um um completo bem-estar físico, mental e social, e não meramente a ausência de doença ou enfermidade. Contudo, essa definição é muito abrangente e de operacionalização difícil, pois há uma falta de precisão no significado da expressão “completo bem-estar”, já que esse estado pode variar de acordo com o indivíduo, o tempo e o espaço. O que é bom para um não é obrigatoriamente bom para outro, e nem a presença de bem-estar significa a ausência da doença (ALEXANDRE, 2012). Já a doença corresponde a um fisiopatológico processo, determinante de um estado de disfunção de natureza fisiológica e/ou psíquica, resultando em deficiências físicas ou mentais, ou também incapacidades funcionais.
Ao longo do tempo, surgiram diversas discussões a respeito desses conceitos. De forma geral, a saúde e a doença são um composto de um processo dinâmico de relações recíprocas, a partir de uma rede causal múltipla e complexa.
Portanto, diante dos vários modelos de explicação e compreensão da saúde, doença e processo saúde-doença, é importante reconhecer a abrangência e a complexidade causal que envolve esses conceitos. Entenda que saúde e doença não são estados isolados, de causa aleatória, pois há uma determinação permanente, um processo causal, que se identifica com o modo de organização. A saúde-doença é o objeto de estudo da ciência epidemiológica, como processo coletivo de uma sociedade que tem elementos gerais, particulares e individuais. A teoria da multicausalidade vem para defender que não apenas o biológico é responsável por causar as doenças, mas também diversos outros fatores, desde o social até o psicológico (FLETCHER; FLETCHER; FLETCHER, 2014).
Leavell e Clark, em 1958, desenvolveram o modelo da história natural da doença, que tem servido como referência para compreender os conceitos de saúde e doença, enquanto integram partes de um processo.
O conceito de história natural das doenças pode ser definido como todas as inter-relações do agente, do hospedeiro e do meio ambiente que afetam o processo global e seu desenvolvimento, desde as primeiras forças que criam o estímulo patológico no meio ambiente ou em qualquer outro lugar (pré-patogênese), passando pela resposta do homem ao estímulo, até as alterações que levam a um defeito, invalidez, recuperação ou morte (patogênese). A história natural da doença divide-se em dois períodos, em que a passagem de um momento para o outro significa o fenômeno da doença. O primeiro é a pré-patogênese, na qual há ausência de doença, podendo também ser um período de pré-doença, em que há fatores de risco que podem desenvolver a doença; e sequencialmente surge o período patogênico, no qual há obrigatoriamente a presença de patologia (MEDRONHO et al., 2008).
A pré-patogênese envolve inter-relações entre o agente etiológico (causador), o homem e o ambiente estimulante. Nesse período, o foco é o estudo em fatores que podem condicionar doenças futuras aos indivíduos. A tríade epidemiológica/ecológica mostra bem o que acontece nessa fase. Essa tríade leva em consideração diversos aspectos que envolvem seus componentes:
A transição de não doente para doente é envolvida pela patogênese, além da evolução e sequência de eventos que podem aparecer após estímulo-doença no organismo de um indivíduo. Nesse caso, analisam-se as modificações fisiológicas, bioquímicas e morfológicas provocadas pela doença. O período da patogênese pode ser dividido em quatro estágios:

Identificando as fases pré-patogênica e patogênica, e as etapas de evolução da doença, a história natural da doença aponta estratégias de ação para impedir a fase patogênica, recuperar o indivíduo ou diminuir o máximo possível as sequelas causadas pela enfermidade.
Caro(a) aluno(a), você sabe o que é risco? O risco e seus determinantes são cruciais na epidemiologia. Diferentemente do que o senso comum acredita, risco não significa somente “perigo”. Na epidemiologia, risco também é visto positivamente, pois é o termo usado na epidemiologia para “probabilidade”. Portanto, há risco de algo bom acontecer, como a cura de uma doença. Assim, é definido como a probabilidade de ocorrência de algo relacionado à saúde (doença, agravo, óbito, cura) em uma população, em um período de tempo determinado (JEKEL; ELMORE; KATZ, 1999).
Já “fator de risco” está relacionado às condições semelhantes que uma população ou grupo de pessoas tenham que apresentem maior incidência de uma doença ou agravo à saúde, se comparados a outros grupos que não tenham ou tenham menos tais características. Por exemplo, pessoas com maior exposição ao sol correm maior risco de terem câncer de pele no decorrer da vida. Por fim, fator de proteção é o atributo de um grupo com menor incidência de um determinado distúrbio se comparado a outro ou outros grupos. É o contrário do fator de risco (MEDRONHO et al., 2008).
A história natural da doença possui dois momentos (períodos). A passagem de um momento para o outro significa o fenômeno da doença. Sobre esses períodos, assinale a alternativa correta:
O período de patogênese precoce faz parte do período pré-patogênico. Nesse período, acontece o desequilíbrio da saúde, mas sinais clínicos que isso ocorreu não existem.
A história natural da doença é dividida em fase pré-patogênese e patogênese, ou seja, antes da doença ocorrer e durante. Essas fases não se misturam, sendo totalmente heterogêneas.
O período da convalescença faz parte do período patogênico. Nesse período, a doença está em sua forma clínica máxima, o que causa modificações marcantes no organismo.
O período da convalescença faz parte do período patogênico. No período da convalescença, acontece o desfecho da doença, ou seja, podem ocorrer a invalidez, a recuperação, a cronificação ou a morte.
O período precoce da doença discernível compõe o período patogênico. Ocorre quando é possível realizar o diagnóstico clínico da doença ou alterações das condições de saúde do indivíduo.
As fases pré-patogênese (antes da doença ocorrer) e patogênese (durante a doença) compõem a história natural da doença. O diagnóstico de uma doença não pode ser feito no período pré-patogênese, já que a doença ainda não existe. O diagnóstico só pode ser feito na fase patogênese.
O período patogênico envolve as inter-relações entre o agente etiológico, o homem e o ambiente estimulante de enfermidade.
No período pré-patogênese, ocorrem inter-relações entre o agente etiológico (de origem), o homem e o ambiente estimulante da doença. Destaca-se o estudo em fatores que podem condicionar doenças futuras aos indivíduos. A tríade epidemiológica/ecológica mostra bem o que acontece nessa fase.
No período pré-patogênico, é possível diagnosticar clinicamente a doença ou alterações das condições de saúde do indivíduo.
Não há como diagnosticar uma doença na fase pré-patogênese, ou seja, antes da doença ocorrer. Apenas no período patogênese o diagnóstico é possível.
No modelo de história natural da doença de Leavell e Clark, os níveis de prevenção primária, secundária e terciária correspondem, respectivamente, aos estágios:
Doença sintomática, pré-doença e doença latente.
Quando no estágio pré-doença, ou seja, antes da doença acontecer, utiliza-se a prevenção primária, estágio no qual há interação entre agente, hospedeiro e ambiente. Na prevenção secundária, a doença está latente, ou seja, não há sinais e sintomas. Quando a doença está instalada, com sinais e sintomas aparentes, aplica-se a prevenção terciária.
Sem doença, doença sintomática e doença latente.
A prevenção primária é aplicada no estágio pré-doença. A secundária é aplicada quando a doença está latente. Já no nível terciário, a doença já está instalada, com sinais e sintomas.
Doença sintomática, doença latente e sem doença.
A prevenção primária inclui ações de prevenção e promoção da saúde aplicadas no estágio pré-doença, em que há interação entre agente, hospedeiro e ambiente. Na prevenção secundária, são aplicadas ações quando a doença está latente, em que não há sintomas e sinais. A prevenção terciária é aplicada quando a doença já está instalada, com sinais e sintomas.
Pré-doença, doença latente e doença sintomática.
No nível de prevenção primária, considera-se o estágio pré-doença, em que há interação entre agente, hospedeiro e ambiente. No nível de prevenção secundária, considera-se a doença como latente, não havendo sintomas e sinais. Já no nível terciário, a doença já está instalada, com sinais e sintomas.
Pré-doença, sem doença e doença sintomática.
Quando a doença ainda não está instalada, são feitas ações no nível de prevenção primária, no qual há interação entre agente, hospedeiro e ambiente. No nível de prevenção secundária, considera-se a doença como latente, em que não há sintomas e sinais. Já no nível terciário, a doença já está instalada, com sinais e sintomas.
Diversas são as áreas da saúde que se misturam com a história da epidemiologia. Porém, áreas sociais, humanas e exatas utilizam a epidemiologia como base para seus conhecimentos práticos e teóricos. Em suma, a epidemiologia é uma ciência básica, que tem por objetivo estudar os diferentes e complexos fatores que interferem na difusão e propagação de doenças, além de sua frequência, o seu modo de distribuição, sua evolução e a os meios necessários à sua prevenção. Dentro da epidemiologia, e sua história, a saúde e a doença foram vistas de diferentes maneiras, até o que se sabe nos dias atuais.
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