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Notas

Aula 03


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Introdução

Caro(a) aluno(a), a epidemiologia é o estudo dos diferentes fatores que intervêm na difusão e propagação de doenças ou condições, seu modo de distribuição, a evolução e a colocação dos meios necessários, principalmente para a prevenção. Portanto, diversos tipos de estudos epidemiológicos existem para se tentar alcançar essas e outras metas da epidemiologia. De forma geral, esses estudos são divididos em descritivos e analíticos, porém subtipos extremamente importantes devem ser conhecidos e dominados pelos profissionais e/ou pesquisadores das áreas da saúde.

Ao final desta aula, você será capaz de:

  • entender os métodos de investigação epidemiológica;
  • diferenciar os tipos de estudos epidemiológicos;
  • conhecer as formas de se pesquisar as diversas populações.

Estudos Epidemiológicos

Caro(a) estudante, os coeficientes e as taxas nos ajudam a entender a ocorrência e a distribuição de doenças ou eventos numa população, e como com esses indicadores podemos comparar o que ocorre em diferentes comunidades. Em muitas situações, esses dados estão disponíveis, como os dados de vigilância. Em outros casos, para você poder responder a uma pergunta da sua investigação, é preciso desenhar um estudo para chegar aos coeficientes e entender o que está ocorrendo na população. De acordo com o que você está estudando, da pergunta do seu estudo será possível definir o tipo de estudo, o desenho de pesquisa epidemiológica.

Os estudos podem ser classificados em duas grandes categorias: observacionais ou experimentais. Nos observacionais, o pesquisador não intervém ou controla a exposição dos participantes. Nos estudos experimentais, o investigador tem algum tipo de intervenção ou controle sobre a condição de exposição dos investigados.

SAIBA MAIS

Indico a você a leitura do artigo “Tipos de estudos epidemiológicos: conceitos básicos e aplicações na área do envelhecimento”. No presente trabalho, são expostos alguns conceitos básicos da epidemiologia, os principais delineamentos de estudos observacionais e suas aplicações na área de envelhecimento.

Segue o link: <https://bit.ly/2IYF6h5>. Acesso em: 23 maio 2019.

Estudos Observacionais

Os estudos observacionais, em si, são divididos em descritivos e analíticos. Os estudos descritivos investigam o padrão de ocorrência de doenças de acordo com características populacionais, por exemplo idade, sexo; do lugar, por exemplo distribuição segundo regiões; e do tempo, por exemplo variações segundo intervalos temporais). Um exemplo de estudo descritivo é o estudo de caso. Como a epidemiologia estuda populações, dificilmente você verá um estudo de caso epidemiológico. Já os estudos analíticos investigam a associação entre fatores de risco de um agravo à saúde (variáveis independentes) e o agravo à saúde (variável dependente). Os exemplos são os estudos transversal, caso-controle, de coorte, ensaio clínico e ecológico.

SAIBA MAIS

Caro(a) aluno(a), leia o artigo “Qualidade de vida e fatores associados na diabetes mellitus tipo 2: estudo observacional” e entenda mais sobre o estudo observacional em um caso específico. O objetivo do estudo foi perceber o impacto de alguns fatores sociodemográficos e clínicos na qualidade de vida numa amostra de doentes com diabetes mellitus tipo 2. Segue o link: <https://bit.ly/2N0aIbH>. Acesso em: 24 maio 2019.

Os estudos descritivos caracterizam morbidade ou mortalidade em populações segundo pessoa, tempo e lugar, mas não envolvem uma hipótese pré-definida. Não têm o objetivo de testar hipótese e foca em descrever o que é observado. Apesar desse tipo de estudo apenas fazer a descrição de um evento ou condição, é importante por sua utilidade e importância descritos a seguir:

  • Pode usar dados secundários, ou seja, não precisa que os dados sejam originais (ex.: dados coletados pelas vigilâncias), o que pode tornar mais fácil desenvolver o estudo.
  • É muito útil para gerar hipóteses, geralmente precedendo os estudos analíticos.
  • É útil para mostrar tendências históricas e como o estudo da mortalidade infantil nas últimas décadas.
  • É importante para profissionais de saúde por fornecer uma caracterização da população suscetível, o que pode contribuir no planejamento e alocação de serviços de saúde na comunidade.

Estudo Descritivos

Os tipos de estudos descritivos mais comuns são: relato de caso, série de casos, estudos transversais ou descritivos (estudo de prevalência). Não vamos descrever o estudo de casos e a série de casos, pois são feitos com apenas um indivíduo ou grupo de indivíduos e a epidemiologia estuda populações. Os estudos transversais serão discutidos nos estudos analíticos, pois esses estudos podem ser realizados com o objetivo de apenas descrever o que foi observado. Dessa forma, é um estudo descritivo, mas também pode ser desenhado para testar hipótese. Por isso, descreveremos esse estudo junto com os analíticos.

Estudos Analíticos

Os estudos analíticos são desenhados para testar hipóteses (uma questão científica), que foram previamente definidas no estudo (no projeto de pesquisa). As hipóteses são relacionadas à associação entre uma exposição de interesse e um desfecho específico. Em outras palavras, estão relacionadas a uma suposta causa e um dado efeito, habitualmente referido como “entre a exposição e a doença”. Geralmente, os estudos analíticos são desenvolvidos numa segunda fase do estudo, após um estudo descritivo que gerou hipóteses.

Há diversos tipos de estudos analíticos, os quais se distinguem a partir da origem das observações, ou seja, se parte da causa ou do efeito. O início do estudo pode partir da causa (exposição) e seguir para verificar a ocorrência de doença (efeito). Outro ponto é o início a partir da doença (efeito) e depois estudar, retrospectivamente, os possíveis fatores causais (exposição). Em ambos os pontos de partida, serão formados dois grupos: os expostos e não expostos, quando se inicia pela exposição, e doentes e não doentes, quando se inicia pela doença. Esse é um diferencial dos estudos analíticos comparados com o descritivo, a inclusão de um grupo-controle. Há ainda uma terceira alternativa, quando a causa (exposição) e a doença (efeito) são estudadas ao mesmo tempo. Nesse caso, os grupos serão formados na fase de análise do estudo, os expostos e não expostos e os doentes e não doentes.

Estudo de Coorte

Os estudos de coorte partem da causa (exposição) para o efeito (doença). Os grupos em estudo são classificados em expostos e não expostos. Os indivíduos, então, são seguidos longitudinalmente para o futuro para determinar se a taxa de desenvolvimento do efeito (doença) é significantemente mais alta no grupo de expostos comparado com o grupo de não expostos. Esse tipo de estudo, dependendo do efeito em estudo, pode ser demorado, durando anos. Veja o esquema a seguir:

Figura 1 – Desenho do estudo de coorte
Fonte: Elaborada pelo autor.

SAIBA MAIS

Para ficar mais claro, veja o artigo “Condições de vida e saúde de idosos: resultados do estudo de coorte EpiFloripa idoso”. O objetivo do estudo foi identificar as mudanças sociodemográficas, comportamentais e de saúde ocorridas ao longo do tempo nos participantes do estudo de coorte EpiFloripa Idoso. Segue o link: <http://www.scielo.br/pdf/ress/v26n2/2237-9622-ress-26-02-00305.pdf>. Acesso em: 23 maio 2019.

Um exemplo clássico desse tipo de estudo é o Framingham heart study (estudo de coração de Framingham). É um estudo de mais de 30 anos, o qual foi iniciado em 1948 e inicialmente pretendia estudar os fatores associados à doença cardiovascular. Foi escolhida uma amostra representativa de 5.200 homens residentes na cidade de Framingham, Massachusetts. Eles foram acompanhados ao longo dos anos, com avaliação bianual, bem como o registro de todas as visitas hospitalares. Esse estudo contribuiu com o entendimento dos fatores que predispõem indivíduos à doença cardiovascular, como hipertensão, diabetes e fumo.

Esse tipo de estudo também é chamado de estudo de coorte prospectivo. Nem sempre é possível fazer um acompanhamento tão longo, pois são necessárias grandes quantidades de recursos financeiros e humanos. Além disso, em algumas situações é preciso se obter uma resposta rápida para uma demanda da população. Nesse caso, um estudo de coorte pode ser conduzido, porém inicialmente é selecionada a população antes que qualquer membro seja exposto ou a exposição seja identificada. Essa população geralmente é definida pela moradia, por exemplo: moradores da comunidade X. Após essa seleção, fazem-se as entrevistas com perguntas sobre exposição, fatores de risco, doença, e coletam-se amostras de sangue se necessário. A partir do resultado dessas informações, a população é dividida em grupo de expostos e não expostos (possuem a característica ou não). Esse estudo é chamado de estudo de coorte retrospectivo.

As análises estatísticas são realizadas da mesma forma que o prospectivo, comparando expostos com os não expostos. No coorte retrospectivo, avalia-se a exposição ocorrida no passado e se há doença no presente, e no prospectivo se avalia a exposição no momento atual e se acompanha para avaliar a doença no futuro. Dois pontos importantes a lembrar é que o estudo inicia com uma população definida e que a investigação é conduzida dividindo-se em expostos e não expostos. O estudo retrospectivo não se inicia com doentes e não doentes.

Caso-controle

Os estudos de caso-controle se caracterizam por iniciar classificando os indivíduos do estudo quanto à presença da doença (condição). Os indivíduos com a doença (caso) sob estudo são comparados com um grupo de indivíduos sem a doença (controle).

Os casos e controles são investigados para a exposição de interesse. Vale ressaltar que apenas os casos novos são incluídos e a exposição deve ter ocorrido no passado, pois só dessa forma é possível fazer uma associação entre exposição e doença.

Veja, na figura a seguir, um desenho esquemático do estudo caso-controle. No exemplo da figura, o estudo é sobre população com e sem hipertensão arterial sistêmica (HAS).

Figura 2 – Desenho do estudo caso-controle
Fonte: Elaborada pelo autor.

SAIBA MAIS

Caro(a) aluno(a), para entender melhor sobre o estudo caso-controle, indico a você um exemplo, a partir da leitura do artigo “Transtorno do espectro do autismo e idade dos genitores: estudo de caso-controle no Brasil”. O transtorno do espectro do autismo afeta o processamento da informação no cérebro, levando a sintomas que incluem prejuízos na interação social e na comunicação, interesse restrito e comportamento repetitivo que são tipicamente detectáveis na primeira infância. Segue o link: <https://www.scielosp.org/article/csp/2018.v34n8/e00109917/>. Acesso em: 23 maio 2019.

Quando há uma associação positiva entre exposição e doença, conclui-se que a proporção de casos com exposição é significantemente maior que a proporção de controle com a exposição. Geralmente, quando se projeta um estudo caso-controle, se quer testar se há uma possível relação entre uma determinada exposição e a doença de interesse. No entanto, em determinadas situações, em um surto de uma doença em que não se sabe a causa, o caso-controle é realizado para testar diversas exposições, é o caso-controle chamado de exploratório, no qual não há hipótese prévia.

Veja o exemplo hipotético de estudo em que o pesquisador quer testar a hipótese de que a mãe exposta a vírus da rubéola aumenta o risco do recém-nascido apresentar catarata. Para testar essa hipótese, foram selecionadas 30 crianças que apresentaram catarata ao nascer (casos). O grupo de comparação foram 60 crianças que nasceram sem presença de catarata no mesmo hospital. As mães foram pesquisadas sobre a exposição para rubéola na gravidez. A análise de dados revelou que a prevalência de história de exposição entre os casos foi maior entre os casos (crianças com catarata) quando comparados com os controles (crianças sem catarata).

Estudo Transversal

Nesse tipo de estudo, ao contrário dos estudos anteriores, a causa (exposição) e o efeito (doença) são avaliados ao mesmo tempo. O início do estudo é realizado com a seleção da população de estudo, que pode ser feita por uma amostra representativa. O critério para escolha dessa população não é a situação de doença ou exposição, mas a época escolhida pelo pesquisador para iniciar a pesquisa.

Após a coleta de dados, no momento da análise serão definidos os grupos expostos e não expostos que estão doente e não doentes. Esse tipo de estudo pode responder às seguintes perguntas científicas:

  1. Quais são as frequências do fator de risco da doença?
  2. A exposição ao fator de risco e à doença estão associados?

O estudo transversal é capaz de produzir informações sobre a prevalência da doença, da exposição, enfim, sobre a situação de saúde de uma população em específico período de tempo.

Figura 3 – Grupos constituídos para estudo de associação em estudo transversal
Fonte: Elaborada pelo autor.

SAIBA MAIS

Indico a você a leitura de um artigo de pesquisa transversal. Trata-se de estudo transversal de base populacional, com adultos selecionados por amostragem probabilística. O objetivo dele foi estimar a prevalência e investigar fatores associados à automedicação em adultos no Distrito Federal, Brasil. Segue o link: <https://www.scielosp.org/scielo.php?pid=S2237-96222017000200319&script=sci_arttext>. Acesso em: 23 maio 2019.

O estudo transversal pode ser realizado para detectar a frequência da doença, ou situação de saúde de uma população e não incluir a pesquisa de fatores de risco. Nesse caso, o estudo é transversal descritivo e não analítico, pois não compara grupos.

Apesar do principal problema desse estudo, que é a relação temporal entre causa e efeito, pois são coletadas simultaneamente, trata-se de um estudo relativamente rápido e barato, que pode subsidiar planejadores de saúde, visto que pode mostrar um retrato da situação de saúde de uma população num específico período de tempo. Além disso, os achados podem ser mais representativos da população-alvo que outros estudos, pois é mais fácil implementar uma amostra probabilística (usar amostragem).

Estudo Ecológico

O estudo ecológico difere de todos os estudos citados anteriormente pela sua unidade de análise. Nos estudos citados, a unidade de análise é o indivíduo e sua relação com exposição. No ecológico, a unidade de análise é o grupo, composto por agregados, conglomerados, estatísticos ou comunitários.

SAIBA MAIS

O artigo indicado a seguir lhe dará um bom exemplo de estudo ecológico. Essa pesquisa teve como objetivo avaliar a tendência das taxas de internações por condições sensíveis à atenção primária (ICSAP) no município de Florianópolis, Santa Catarina, Brasil, no período de 2001 a 2011, e verificar sua correlação com o investimento financeiro em saúde e a cobertura populacional pela Estratégia Saúde da Família (ESF). Segue o link: <https://www.scielosp.org/article/ress/2016.v25n1/75-84/pt/>. Acesso em: 23 maio 2019.

Geralmente, a unidade ecológica usada é uma área geográfica ou um específico período de tempo. O desenho de um estudo ecológico inicia-se com:

  1. Estabelecimento da hipótese: o consumo de sal é associado com morte por acidente vascular cerebral (AVC)?
  2. As unidades ecológicas são definidas: estados do Brasil.
  3. Sumário das informações sobre a exposição e o efeito (doença): consumo per capita de sal por estado e taxas de mortalidade por AVC por estado.
  4. Plotar os dados de cada unidade ecológica num gráfico: no eixo X, o consumo per capita de sal, e no eixo Y a taxa de mortalidade por AVC.
  5. Determinar se existe a relação levantada na hipótese: os estados com maior consumo de sal possuem maior taxa de mortalidade por AVC?

Os estudos ecológicos são usados para testar hipóteses de forma mais rápida e mais barata, visto que geralmente são utilizados dados secundários. A partir desses resultados, estudos mais sofisticados podem ser conduzidos para aprofundar a questão. Apesar dessas vantagens, é preciso ter cuidado com os resultados desses estudos, os quais indicam associações encontradas na comparação para população e que não podem ser inferidas para o indivíduo, pois, mesmo que os dados sejam consistentemente constatados, não necessariamente significa que ocorra a mesma associação no nível individual.

Estudo Experimental

Os estudos experimentais são estudos analíticos, pois são desenhados para testar hipóteses entre uma específica exposição e um efeito (doença). A principal diferença entre esse tipo de estudo e os descritos anteriormente é que o investigador de um estudo experimental tem controle sobre as condições do estudo. Isso quer dizer que determina quem será exposto e quem não será exposto. A exposição, nesse caso, significa a intervenção realizada pelo investigador.

Esses estudos são frequentemente usados na clínica, mas é bem menos usado do que os observacionais devido às limitações que envolvem as questões éticas, as quais discutiremos mais adiante. Esses estudos podem ser divididos em dois tipos: o ensaio clínico randomizado e o ensaio comunitário. Esses são os principais, mas, além desses, podem ser identificados outros tipos de estudos experimentais. Além do ensaio clínico randomizado, há dois outros tipos de estudo experimental: o estudo experimental controlado, mas não randomizado, o que equivale a uma coorte com um grupo interno de controle, sem as características equivalentes ao grupo de experimento, o que pode levar a problemas na interpretação. Um outro tipo é estudo experimental não controlado, no qual uma série de casos é tratada igualmente sem um grupo de controle formado ao mesmo tempo.

Ensaio Clínico Randomizado

O ensaio clínico randomizado também é conhecido como ensaio clínico. Esse estudo é um dos mais usados na clínica, mas também pode ser empregado na epidemiologia geral, por isso o termo mais adequado seria ensaio controlado randomizado. Veja os passos para o desenvolvimento desse estudo:

  • Primeiro, deve-se estabelecer a população de referência. Essa é a população que o pesquisador espera generalizar seus resultados. Por exemplo, num ensaio clínico para testar a eficácia de uma nova vacina para crianças com menos de cinco anos de idade, a população de referência serão crianças com menos de cinco anos de idade.
  • Segundo, a população que irá participar do estudo será definida. No estudo da vacina, pode-se escolher, por exemplo, crianças com menos de 5 anos de idade que frequentam o ambulatório de pediatria do Hospital A. Depois do convite para participar do estudo ser feito aos responsáveis, serão incluídos no estudo aqueles que aceitaram e possuem os critérios de elegibilidade para participar dele (esses critérios variam e podem ser algo como estar saudável, nunca ter sido acometido pela doença e não ser alérgico a componentes da vacina, entre outros).
  • Terceiro, os participantes serão randomizados em dois grupos: um grupo do experimento e um grupo de controle. O grupo de controle receberá um placebo e o do experimento a nova vacina.

Os ensaios clínicos randomizados ainda podem ser subdivididos em ensaios preventivos, ensaio de intervenção e ensaio terapêutico. Essa classificação é relacionada com a fase da doença (efeito) em que se faz o experimento, se na fase antes de ocorrer o efeito (prevenção), no período pré-sintomático da doença (intervenção) ou no período em que a doença já está estabelecida com o objetivo de testar a cura ou a melhora na qualidade de vida.

Veja no esquema a seguir o desenho de um estudo clássico de ensaio clínico randomizado.

Figura 4 – Desenho do estudo ensaio clínico randomizado
Fonte: Elaborada pelo autor.

Ensaio Comunitário

Os ensaios comunitários diferem do ensaio clínico randomizado por duas razões: primeiro, nem sempre há randomização, o que o torna tecnicamente um estudo quase experimental, pois não envolve randomização para experimento e o controle do pesquisador não é total sobre a divisão dos grupos e o período da intervenção. Outra diferença é a unidade de análise, que é o grupo e não o indivíduo.

O primeiro passo para o desenvolvimento de um ensaio comunitário é a seleção da comunidade participante, que pode ser bairro, vilas, cidade ou qualquer outro aglomerado de indivíduos. Em seguida, realiza-se a coleta de dados de base sobre o efeito (doença, condição) em estudo referente às comunidades selecionadas. Realiza-se então a definição da comunidade que receberá a intervenção. O passo seguinte é o acompanhamento da comunidade para análise do efeito (resultado final do estudo) e avaliação.

Num ensaio para avaliar o uso de flúor na água do sistema de abastecimento de água e a incidência da cárie em crianças, foram escolhidas duas comunidades, que possuíam sistemas de abastecimento diferentes, e em uma delas foi adicionado o flúor à água de consumo. Após um período de seguimento, realizou-se a análise comparando a incidência de cárie nas duas comunidades.

QUESTÃO OBJETIVA

Os estudos epidemiológicos podem ser divididos didaticamente em descritivos e analíticos. Dentre os analíticos, temos o estudo de prevalência, ou transversal. Sobre os estudos de prevalência, assinale a alternativa correta:

Os estudos de prevalência somente identificam casos que estão vivos e passíveis de serem diagnosticáveis na época da avaliação.

Nos estudos de prevalência, é possível identificar casos que estão vivos e passíveis de serem diagnosticados na época da avaliação.

Nos estudos de prevalência, são incluídos os casos que já foram curados.

Os casos prevalentes podem ser um subgrupo viciado de todos os casos porque eles não incluem aqueles que já faleceram ou foram curados.

Os estudos de prevalência permitem compreender claramente a relação de tempo entre um fator causal e a doença.

Estudos de prevalência são temporais, ou seja, são realizados em um determinado período de tempo, sem acompanhamento da amostra, o que não permite uma compreensão clara da relação temporal com a causalidade

Nos estudos de prevalência, são incluídos casos que já faleceram.

Estudos de prevalência não incluem casos de pessoas que já faleceram. Os casos prevalentes podem ser um subgrupo viciado de todos os casos porque eles não incluem aqueles que já faleceram ou foram curados.

Os estudos de prevalência são considerados estudos experimentais.

Estudos de prevalência são observacionais, ou seja, não há intervenção do pesquisador sob uma amostra específica.

QUESTÃO OBJETIVA

Risco não significa somente “perigo”. Na epidemiologia, risco também é visto positivamente, pois é o termo usado na epidemiologia para “probabilidade”. Sobre fator de risco, assinale a alternativa correta:

O fator de risco é utilizado em estudos transversais, ou seja, de prevalência.

Em se tratando de saúde, fator de risco é qualquer situação que aumente a probabilidade de ocorrência de uma doença ou agravo à saúde, portanto não tem como ser utilizado em estudos de prevalência.

O fator de risco está relacionado às condições semelhantes que uma população tenha que apresentem maior incidência de uma doença.

Em se tratando da área da saúde, o fator de risco pode ser definido como  qualquer situação que possa aumentar a probabilidade de ocorrer uma doença ou agravo à saúde. Está relacionado às semelhantes condições que uma população tenha de apresentar maior incidência de uma doença ou agravo à saúde.

O fator de risco é utilizado em estudos bibliográficos.

Os estudos bibliográficos não possuem amostra (participantes), portanto não há como utilizar o fator de risco.

O fator de risco não está relacionado às condições que uma população não tenha de apresentar maior incidência de uma doença.

Fator de risco pode ser definido como qualquer situação que possa aumentar a probabilidade de ocorrer uma doença ou um agravo à saúde.

O fator de risco está relacionado às condições que uma população não tenha de apresentar maior incidência de uma doença.

O fator de risco está relacionado às condições semelhantes que uma população ou grupo de pessoas tenham de apresentar maior incidência de uma doença ou agravo à saúde, se comparados a outros grupos que não tenham ou tenham menos tais características.

Fechamento

Nesta aula, foi possível conhecer e entender melhor os diferentes tipos de estudos epidemiológicos. Para cada caso, cada meta, problema de pesquisa tipo de população, dentre outras características a serem analisadas, existe um tipo de estudo a ser escolhido e realizado. Tenha bastante atenção e certeza antes de escolher o tipo de pesquisa a ser feita. Estudos analíticos são mais complexos de serem feitos, se comparados aos descritivos, porém trazem melhores respostas ao problema de pesquisa, assim como melhores conclusões.

Nesta aula, você teve a oportunidade de:

  • conhecer os tipos de estudos epidemiológicos;
  • caracterizar os estudos epidemiológicos;
  • entender a aplicação dos estudos epidemiológicos.

Vídeo

Para complementar o seu aprendizado, assista o vídeo a seguir:

Aula Concluída!

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