Na epidemiologia, estuda-se as vigilâncias epidemiológica, sanitária, ambiental e do trabalhador. Englobam-se, na vigilância epidemiológica, algumas ações conjuntas, que possuem o objetivo de proporcionar conhecimento, detecção ou a prevenção, fatores que condicionam e determinam a saúde coletiva ou individual, com a finalidade de recomendar adotar ações preventivas e de controle das doenças ou agravos à saúde. Já a vigilância sanitária tem a finalidade de promover e proteger a saúde da população. É capaz de prevenir, eliminar, ou até promover a diminuição dos riscos à saúde, além de intervir nos diversos problemas sanitários existentes, decorrentes da produção, do meio ambiente, da circulação de bens, assim como da prestação de serviços, que são de interesse da saúde. O conjunto de ações que proporcionam a avaliação e a detecção de mudanças em fatores determinantes e condicionantes do meio ambiente e que interferem na saúde humana compõem a vigilância ambiental. Por fim, a vigilância do trabalhador estabelece uma intervenção e negociação de controle e mudanças no processo de trabalho, tanto em sua base tecnológica quanto na organização do trabalho, o que poderá, possivelmente, eliminar o risco de acidentes e adoecimento relacionado ao trabalho.
Ao final desta aula, você será capaz de:
A vigilância em saúde, conforme Jekel, Elmore e Katz
[...] tem como objetivo a análise permanente da situação de saúde da população, articulando-se num conjunto de ações que se destinam a controlar determinantes, riscos e danos à saúde de populações que vivem em determinados territórios, garantindo a integralidade da atenção, o que inclui tanto a abordagem individual quanto coletiva dos problemas de saúde. Assim, a Vigilância em Saúde constitui-se de ações de promoção da saúde da população, vigilância, proteção, prevenção e controle das doenças e agravos à saúde (JEKEL; ELMORE; KATZ, 2005, p. 25).
A vigilância em saúde é capaz de observar mudanças em padrões de ocorrência dos hospedeiros e dos agentes; identificar, quantificar e até monitorar tendências e padrões do processo saúde-doença; investigar e controlar doenças; avaliar medidas de prevenção e controle, dentre outras capacidades (JEKEL; ELMORE; KATZ, 2005).
Leia o artigo sugerido a seguir. Com a leitura, você resgatará um pouco da história e desenvolvimento da vigilância em saúde, e inspirar ideias para o debate acerca da constituição da Política Nacional de Vigilância em Saúde (PNVS). Os autores desse artigo resgatam elementos conceituais relacionados à vigilância em saúde. Para saber mais, acesse: <https://bit.ly/2Xkuq5X>. Acesso em: 17 maio 2019.

A vigilância pode ser classificada em três tipos possíveis de uso:
A vigilância epidemiológica identifica, rapidamente, o número de casos ocorridos de determinada doença (por exemplo, hipertensão arterial sistêmica), em um curto período de tempo, assim como variações regionais do número das doenças. Mudanças na incidência das doenças não são nítidas ao ponto de serem identificadas sem acompanhamento contínuo de seu comportamento. A vigilância epidemiológica objetiva prever a ocorrência de doenças, mas também de diversos outros agravos, geralmente considerados prioritários, suas tendências e seus fatores de risco. Esse tipo de vigilância planeja, executa e avalia medidas de prevenção e de controle (JEKEL; ELMORE; KATZ, 2005).
O artigo “Vigilância epidemiológica da transmissão vertical da sífilis: dados de seis unidades federativas no Brasil” descreve o perfil epidemiológico dos casos notificados de sífilis em gestantes e congênita, nos estados brasileiros do Amazonas, Ceará, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul e no Distrito Federal, com base em dados do Sistema Nacional de Agravos de Notificação (SINAN). Para saber mais, acesse: <https://bit.ly/2MUuULN>. Acesso em: 17 jun. 2019.

O Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica é um subsistema do Sistema Único de Saúde (SUS), baseado na informação-decisão-controle de agravos específicos e doenças. Dentre seus principais objetivos destacam-se: elaborar, recomendar e avaliar medidas de controle e de planejamento (ALEXANDRE, 2012).
A vigilância epidemiológica coleta, consolida, investiga, interpreta e analisa dados epidemiológicos, além de recomendar e adotar medidas de controle e avaliação do sistema de vigilância epidemiológica, retroalimentação e divulgação de informações.
Em todos os níveis atuantes do sistema de saúde ocorrem as atividades de coleta e consolidação de dados. A força e o valor da informação dependerão da qualidade e da fidedignidade da geração e coleta dos dados, assim como da sua representatividade em relação ao existente problema. Ressalta-se que o sistema de vigilância epidemiológica trabalha com diversos tipos de dados. A base é a notificação de casos suspeitos e/ou confirmados de doenças, objetos de notificação compulsória. Porém, podem ser utilizados dados de mortalidade, ou coletados em prontuários médicos.
Em grupos populacionais, os serviços de saúde devem identificar a ocorrência de sinais e sintomas que possam sugerir uma doença desconhecida ou agravo à saúde, o comportamento não comum de uma doença definida, assim como os casos emergentes de doenças. A detecção precoce desses fenômenos é extremamente fundamental a fim de desencadear ações para solucioná-los (ALEXANDRE, 2012).
Há, pelo menos, quatro situações em que as notificações são úteis:
Vale lembrar que a notificação carece de ser feita em total sigilo, e não pode ser divulgada fora do ambiente médico-sanitário, principalmente no caso em que a comunidade esteja em risco. Deve ser respeitado o direito de anonimato dos cidadãos. Se não forem registrados casos de doenças notificáveis no decorrer do período, deve-se proceder à uma notificação negativa.
O que vem a ser a notificação negativa? Pode ser considerada uma notificação da não ocorrência de doenças, uma notificação compulsória na área de abrangência da unidade de saúde. A notificação negativa demonstra que os profissionais de saúde e o sistema de vigilância estão alertas para a ocorrência de tais eventos. Os critérios para seleção de agravos e doenças prioritários à vigilância epidemiológica estão listados à seguir:
Além desses quatro critérios citados, ainda podem ser relacionados os descritos a seguir:
Pesquisas feitas no Brasil apontaram que a AIDS está longe de ser controlada, e que atingiu seus piores indicadores nesses mais de 30 anos de existência da doença. O artigo sugerido a seguir indica desafios e perspectivas para o enfrentamento da epidemia de AIDS no Brasil. Para saber mais, acesse: <https://bit.ly/2IrB0PC>. Acesso em: 17 jun. 2019.

Um grande exemplo atual de epidemia e que tem sido notificada diariamente é a da dengue (Figura 1).

A seguir, o conceito de eliminação, controle e erradicação:
Está em vigor, atualmente, a Portaria número 104, de 25 de janeiro de 2011, que define as terminologias adotadas em legislação nacional, conforme o disposto no RSI, os agravos e os eventos em saúde pública de notificação compulsória em todo o território nacional, a relação de doenças e estabelece critérios, fluxo, atribuições e responsabilidades aos profissionais e serviços de saúde (BRASIL, 2011).
São utilizadas algumas fontes de dados pela vigilância epidemiológica, tais como:
O artigo “Estimativa da carga do tabagismo no Brasil: mortalidade, morbidade e custos” teve como objetivo estimar a carga do tabagismo em 2011, em termos de mortalidade, morbidade e custos da assistência médica das principais doenças tabaco-relacionadas. Para saber mais, acesse: <https://bit.ly/2XoNIqx>. Acesso em: 17 jun. 2019.



A vigilância sanitária compreende um conjunto de ações que são capazes de diminuir, eliminar, ou prevenir os riscos à saúde da população, assim como intervir nos problemas sanitários decorrentes da produção e circulação de bens e da prestação de serviços de interesse da saúde, e também do meio ambiente. Esse tipo de vigilância abrange direta e indiretamente o controle de bens de consumo que se relacionam com a saúde, e são compreendidas todas as etapas e os processos, da produção ao consumo. Além disso, abrange o controle da prestação de serviços relacionados, direta ou indiretamente, com a saúde. O objetivo da vigilância sanitária é proteger, promover e garantir o acesso à saúde do consumidor, da população como um todo e também do trabalhador (PEPE et al., 2010).

O artigo “A Vigilância Sanitária no controle de riscos potenciais em serviços de hemoterapia no Brasil” descreve a situação sanitária dos serviços de hemoterapia avaliados pela Vigilância Sanitária, em 2011 e 2012, por meio do Método de Avaliação de Risco Potencial de Serviços de Hemoterapia (MARPSH), classificando-os em cinco categorias: baixo, médio-baixo, médio, médio-alto e alto. Acesse o link: <https://bit.ly/31FxdWF>. Acesso em: 17 jun. 2019.

A vigilância ambiental é um campo de conhecimento relativamente novo, que trata da análise e compreensão dos condicionantes ambientais que podem afetar a saúde humana. Emprega, como fundamental ferramenta, o georreferenciamento de dados. Georreferenciamento é um processo usado para referenciar registros tabulares a um lugar da superfície da Terra ou unidade territorial. Essa unidade territorial pode ser um município, bairro ou localidade específica, e possibilita a elaboração de mapas de risco, capazes de auxiliar a tomada de decisão nas diversas instâncias do SUS.
O Subsistema Nacional de Vigilância em Saúde Ambiental (SINVSA) engloba um conjunto de ações e serviços prestados por entidades e órgãos públicos e privados, que possuem relação com a vigilância em saúde ambiental, sempre visando ao conhecimento e à prevenção ou detecção de qualquer mudança nos fatores condicionantes e determinantes do meio ambiente, e que interferem na saúde da população. O objetivo é recomendar e adotar medidas de prevenção e controle dos fatores de riscos relacionados às doenças, promoção da saúde ambiental e outros agravos à saúde, em especial, a água para o consumo, o solo e o ar; desastres naturais contaminantes ambientais e substâncias químicas; acidentes com produtos perigosos; ambiente de trabalho e fatores físicos.
A Vigilância Ambiental em Saúde deverá dispor de específicas informações de outros sistemas, como o Sistema de Informação de Vigilância em Saúde de Populações Expostas a Solo Contaminado (SISSOLO), assim como o Sistema de Informação de Vigilância em Saúde Relacionado à Qualidade da Água de Consumo Humano (SISAGUA).
Leia o artigo intitulado “Vigilância em saúde ambiental no Brasil: heranças e desafios”, que apresenta alguns pontos do debate sobre o campo da saúde ambiental, em especial, o surgimento da vigilância em saúde ambiental no âmbito das políticas públicas do Sistema Único de Saúde (SUS). Para a construção dessa vigilância, realizou-se uma revisão teórica e uma análise de alguns instrumentos normativos que regulam a área. Segue o link para leitura: <https://bit.ly/2KwKfQS>. Acesso em: 17 jun. 2019.

A Política Nacional de Saúde do Trabalhador do Ministério da Saúde está em vigor desde 2004, e visa reduzir as doenças e acidentes relacionados ao trabalho. Essa política é executada mediante a execução de ações de reabilitação, promoção, e vigilância na área de saúde.
Descritas na Portaria número 1.125, de 6 de julho de 2005, as diretrizes de saúde do trabalhador compreendem a articulação intra e intersetorial, a atenção integral à saúde, o apoio a estudos e pesquisas, a capacitação de recursos humanos, a estruturação da rede de informações em saúde do trabalhador e a participação da comunidade na gestão dessas ações (BRASIL, 2005).
A Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador (RENAST), que foi regulamentada pela Portaria no 2.728/GM, de 11 de novembro de 2009, consiste em uma das estratégias para a garantia da atenção integral à saúde dos trabalhadores (BRASIL, 2009). Essa rede é composta de Centros Estaduais e Regionais de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest), espalhadas por todo o País, e também de uma rede de serviços-sentinela, de alta e média complexidades, capaz de diagnosticar os agravos à saúde relacionados ao trabalho, assim como de registrá-los no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN-NET).
O artigo sugerido a seguir dispõe de uma análise dos fatores associados à notificação de Acidentes de Trabalho (AT) em unidades sentinelas no município de Fortaleza, nordeste do Brasil. Segue o link para leitura: <https://bit.ly/2KwKfQSs>. Acesso em: 17 jun. 2019.

A vigilância possui relação com práticas de promoção e atenção à saúde das populações, assim como os mecanismos de prevenção de doenças e condições de saúde. Com relação aos diversos tipos de vigilância em saúde, assinale a alternativa correta:
A vigilância em saúde do trabalhador visa à redução dos acidentes relacionados ao trabalho, com exceção do doméstico.
A vigilância em saúde do trabalhador engloba ações que visam reduzir acidentes e doenças relacionadas ao trabalho, inclusive o doméstico, quando o trabalhador está devidamente registrado em carteira.
A vigilância ambiental é a que trata não apenas da compreensão, mas também da análise dos condicionantes ambientais que afetam a saúde humana.
A vigilância ambiental trata da compreensão e da análise dos condicionantes ambientais que afetam a saúde humana. A construção de sistemas de informação para a vigilância ambiental em saúde que integrem aspectos de saúde e de meio ambiente tem permitido a produção de informações estatísticas facilitadoras da interpretação da dinâmica com os demais sistemas, possibilitando a implantação e identificação de indicadores de saúde ambiental.
O SINVSA compreende o conjunto de ações e serviços prestados por órgãos e entidades públicas, apenas.
O SINVSA engloba um conjunto de serviços e ações prestados por entidades e órgãos públicos e privados, e que estão relacionados à vigilância em saúde ambiental. Esse conjunto visa ao conhecimento e à detecção ou prevenção de qualquer mudança nos fatores determinantes e condicionantes do meio ambiente que interferem na saúde humana.
A vigilância sanitária atua intervindo nos problemas decorrentes do meio ambiente, mas não da prestação de serviços de interesse da saúde.
A vigilância sanitária engloba um conjunto de ações de eliminação, diminuição ou prevenção de riscos à saúde, e de intervenção nos problemas sanitários decorrentes do meio ambiente, da produção e circulação de bens e da prestação de serviços de interesse da saúde.
Os dados de natalidade, mortalidade e sobrevida fazem parte da vigilância sanitária.
Os dados de mortalidade, oriundos do Sistema de Informação de Mortalidade (SIM), fazem parte da vigilância epidemiológica, e são obtidos em declarações de óbitos, o que permite o estudo das causas de morte, da avaliação do risco de morte por determinadas causas externas, como acidentes, e da expectativa de vida.
A vigilância epidemiológica engloba um grupo de ações, que proporcionam o conhecimento, detecção ou prevenção de qualquer mudança nos fatores determinantes e condicionantes de saúde individual ou coletiva, com a finalidade de prevenir e combater doenças e agravos à saúde. Com relação a esse tipo de vigilância em saúde, assinale a alternativa correta:
Os dados demográficos permitem quantificar a população e suas características, e podem ser obtidos com base nos dados censitários. Os dados ambientais não seguem essa lógica.
Os dados demográficos, ambientais e socioeconômicos permitem quantificar a população e suas características. Dentre esses dados, tem-se o número de habitantes, faixa etária, área de residência, condições de saneamento, fatores climáticos, ecológicos, habitacionais e culturais, e podem ser obtidos com base nos dados censitários, de registros de cartórios e de estimativas por amostragem.
Erradicação significa suspensão da transmissão de determinada infecção em ampla região geográfica ou jurisdição geopolítica.
Erradicação significa cessação de toda a transmissão da infecção pela extinção artificial, no planeta, da espécie do agente em questão; pressupõe a ausência completa de risco de reintrodução da doença, de forma a permitir a suspensão de toda e qualquer medida de prevenção ou controle.
Eliminação ou erradicação regional significa cessação de toda a transmissão da infecção pela extinção artificial, no planeta, da espécie do agente em questão.
Eliminação ou erradicação regional significa suspensão da transmissão de determinada infecção em ampla região geográfica ou jurisdição geopolítica.
Controle é aplicado a doenças transmissíveis, mas não nas não transmissíveis.
O controle, aplicado em doenças não transmissíveis e transmissíveis, pode implicar operações ou até programas desenvolvidos, com o objetivo de reduzir sua incidência e/ou prevalência em níveis baixos.
Na vigilância epidemiológica, utilizam-se dados de laboratório, que é um local de confirmação diagnóstica.
Os laboratórios constituem de recursos valiosos para detectar doenças sujeitas à notificação. A participação desses locais deve ser estimulada, como fonte de notificação e vigilância laboratorial, porque, muitas vezes, as doenças que não foram detectadas pelo sistema formal de notificação podem sê-lo mediante o recebimento de amostras e de notificação de resultados laboratoriais.
A vigilância compreende atividades que monitoram e acompanham o comportamento e as atividades de pessoas e, principalmente, de determinados locais, quase sempre com o objetivo de garantir a segurança patrimonial ou pública. Dentre as vigilâncias, existem a epidemiológica, a sanitária, do trabalhador e a ambiental, com funções específicas, mas que visam a um objetivo final em comum, que é primar pela saúde e qualidade de vida da população.
Nesta aula, você teve a oportunidade de:
Aula Concluída!
Avançar