No campo da saúde, tem sido reconhecida a incapacidade do modelo de atenção vigente, que é hegemonicamente baseado no parque tecnológico médico, no conhecimento biológico, no risco e na atenção individual, e na explicação e resposta aos processos de saúde e doença de uma determinada população. Diante disso, surge a Promoção da Saúde, para ser realizada por profissionais de diversas áreas, com o objetivo de proporcionar conhecimentos acerca de prevenção de doenças e orientações que podem conduzir a uma vida mais saudável, por meio de diferentes ações. A promoção da saúde depende da utilização de conhecimento sólido e técnico-científico, aliada à vontade das pessoas e a boas práticas de saúde.
Ao final desta aula, você será capaz de:
A evolução científica baseada no conhecimento biomédico, assim como a tecnológica, contribui para a atenção e o controle dos riscos de doenças. Por exemplo, a criação/descoberta e o desenvolvimento das vacinas, e também a estratégia de utilização populacional promoveram a erradicação de diversas doenças, como a varíola e a poliomielite (Figura 1). Os métodos diagnósticos e o arsenal terapêutico permitiram precoces abordagens e maior efetividade das intervenções.

Essas e outras conquistas não diminuem o debate que se deu no início do novo milênio, em relação ao direito de viver com qualidade.
A morbimortalidade por causas externas, que atinge jovens e a população em idade produtiva tem aumentado. Incluem-se, nessas causas externas, os conflitos, os acidentes de trânsito, os homicídios ou suicídios, o recrudescimento de antigas doenças com novas características e o predomínio das doenças crônicas não transmissíveis.
Há algumas evidências de que a saúde está mais relacionada ao estilo de vida das pessoas do que com questões biológicas e genéticas. Por exemplo, a alimentação não saudável, o sedentarismo, o consumo de álcool, tabaco e outras drogas, e o estresse diário são condicionantes que estão relacionados diretamente ao desenvolvimento de doenças modernas, como a depressão.
Como forma de contribuição para a diminuição da mortalidade infantil, e para o aumento da expectativa de vida das pessoas, destaca-se a melhoria do saneamento básico das cidades e das condições ocupacionais, e aumento do acesso aos serviços de saúde.
No início do século passado, no nosso país, a expectativa de vida era de 35 anos; atualmente, a média é de 68 anos, e as mulheres atingem os 72 anos de vida. Porém, ainda hoje é grande a taxa de mortalidade por doenças cardiovasculares e respiratórias, assim como por causas externas.
Esse e outros debates evidenciam a necessidade de delineamento e criação de estratégias e ações no campo da saúde que possam ser capazes de solucionar problemas complexos. Diante disso, a promoção da saúde ainda está em desenvolvimento, e propicia estratégias que possam abordar os problemas de saúde.
A promoção da saúde trabalha com o princípio da autonomia dos indivíduos e das comunidades, e também reforça o planejamento e poder local.
Caro(a) aluno(a), acesse o link para a leitura da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, disponível em: <https://bit.ly/1bJYlGL>. Acesso em: 18 jun. 2019.

Os princípios do SUS – integralidade, universalidade e equidade – assim como as diretrizes de organização hierarquizada e descentralização podem ser potencializadas por meio de ações de promoção da saúde, o que contribui para melhorias no SUS e para a construção de uma aliança nacional ampla, focada na qualidade de vida. Na saúde, é fundamental, para a participação social, o incentivo de um efetivo controle social, que se materializa por meio dos conselhos nacional, estaduais e municipais, além de conferências de saúde, em todos esses níveis.
Conforme a Carta de Ottawa, instituída no ano de 1986, a promoção da saúde é definida por meio de estratégias e pilares que incorporam, retomam e refletem os grandes dilemas da esfera social (BRASIL, 1986). No campo da saúde, tem originado agendas novas, como o reforço da ação comunitária, o estímulo à autonomia dos indivíduos, a superação da especialização e fragmentação das políticas públicas e da atenção à saúde, assim como a pactuação de propostas de gestões intersetoriais, a formulação de políticas comprometidas com a qualidade de vida e a construção de ambientes saudáveis.
Como indicação de leitura, no link a seguir é disponibilizado o texto que aborda a Política Nacional de Promoção da Saúde, de 2010: <https://bit.ly/1b1oBgO>. Acesso em: 18 jun. 2019.

Na quinta Conferência Internacional de Promoção da Saúde, realizada no México, em 2000, foram estipulados desafios teóricos e estratégicos sobre a promoção da saúde, para desenvolver a saúde pública. Os Ministros de Saúde dos países que participaram da conferência se comprometeram a desenvolver estratégias para melhorar os determinantes da saúde e reduzir a iniquidade, e destacar a promoção da saúde como política pública. Uma política de promoção da saúde deve contribuir para o aprofundamento das promessas da reforma sanitária brasileira. Além da construção do SUS, havia a necessidade de transformação das práticas sanitárias, superando a baixa cobertura, em direção à busca da equidade, universalização, a integralidade do cuidado e respeito à cidadania, e democratização da sociedade, da saúde, do Estado e das Instituições.
Duas dimensões envolvem a promoção de saúde: a conceitual e a metodológica. A conceitual envolve premissas, princípios e conceitos que sustentam o discurso da promoção de saúde. A metodológica constitui de planos de ação, práticas, estratégias, e formas de intervenção e instrumental metodológico.
Desde a década de 1980, há a busca por clarificar, desenvolver e disseminar o discurso da promoção da saúde, apesar de ainda persistirem contradições quanto à definição, e confusões relativas aos limites conceituais com a prevenção.
A qualidade de vida tem sido utilizada por clínicos, pesquisadores, economistas, administradores e políticos, e está diretamente relacionada com a promoção de saúde. Sobre essa temática, leia o artigo sugerido, disponível no link: <https://bit.ly/2Dqp4Nt>. Acesso em: 18 jun. 2019.

Ainda há dificuldade de conceituar e definir a “nova promoção de saúde”, que ainda se encontra dispersa e desarticulada. São caracterizadas, pela OMS, iniciativas de promoção de saúde: as políticas, os programas e atividades planejadas e executadas conforme os princípios da concepção holística, empoderamento, intersetorialidade, equidade, participação social, ações multiestratégicas e sustentabilidade. É determinado, pela concepção holística, que as iniciativas de promoção de saúde estimulem a saúde social, física, mental e espiritual das comunidades. Promoção de saúde envolve a população de forma integral, no contexto do seu dia a dia, ao invés de enfocar grupos de risco para doenças específicas.
A saúde é um fenômeno socialmente produzido, e cabem ações coletivas no cotidiano da população, o que extrapola o campo específico da assistência médico-curativa. É justamente esse o campo de ação da promoção da saúde, em que a concepção e significado deveriam enfatizar a determinação econômica, social e ambiental mais do que puramente mental ou biológica da saúde.
A promoção da saúde surge como transformadora de ações para a melhoria das condições de vida, no âmbito da saúde coletiva. Desde a Carta de Ottawa (1986), a evolução do conceito recebeu um enfoque técnico e político do processo saúde-doença-cuidado, tornando-se mais abrangente e não se limitando à biologia humana.
Foi necessário conceber a saúde em uma visão positiva, buscando uma percepção integrada, ampliada, complexa e intersetorial, relacionando-a aos modos de produção, ao meio ambiente e ao estilo de vida.
Sugerimos a leitura do artigo intitulado “Promoção da saúde: espaço interdisciplinar para o estudo do estilo de vida”. O texto explicita, ainda que brevemente, aspectos do estudo do estilo de vida relacionado à saúde, enquanto uma possibilidade interdisciplinar, com base na promoção da saúde. Segue o link para a leitura: <https://bit.ly/2x58T2b>. Acesso em: 18 jun. 2019.

Em uma atualidade marcada por desigualdades sociais, a promoção da saúde infere a importância dos determinantes sociais que buscam modelos de atenção que possam extrapolar a vigente assistência médica curativa. Desse modo, a saúde pública e a coletiva abrem a discussão sobre a nova concepção de saúde por profissionais da saúde, gestores e pela sociedade.
O conceito de promoção da saúde é discutido em diferentes contextos, o que representa uma mudança no direcionamento das ações de saúde, visando a uma tentativa de transformação social, já que hoje promover saúde é combater a naturalização da pobreza, fazendo com que as questões sociais sejam remetidas para o tema da desigualdade social.
Temos de lembrar que a promoção da saúde lida com estilos de vida. A população moderna perde de vista o que é uma vida saudável, passando a se adaptar a uma vida estressante e sedentária, com o abuso de drogas lícitas ou ilícitas, e com o predomínio de consumo de alimentos industrializados com altos teores de sal e ácidos graxos saturados, que são determinantes fundamentais na causa de doenças (CZERESNIA; FREITAS, 2009). A promoção da saúde engloba a prática de atividade física (Figura 2), o consumo de alimentos saudáveis (Figura 3), o não uso de drogas ilícitas, dentre outras ações.

O artigo “Políticas de promoção da saúde e potenciais conflitos de interesses que envolvem o setor privado comercial” apresenta uma análise dos potenciais conflitos de interesses (CDI) que envolvem o setor privado comercial no âmbito das políticas de promoção da saúde (PS), especialmente em sua interface com o campo da alimentação e nutrição no Brasil. Texto disponível no link: <https://bit.ly/2XokmJc>. Acesso em: 18 jun. 2019.


A preocupação da Saúde Pública com a inatividade física da população adulta mundial tem encorajado a avaliação de intervenções que incentivem a prática regular de atividade física. Indicamos, portanto, a leitura de um artigo sobre promoção da saúde e atividade física. Texto disponível no link: <https://bit.ly/31Lf9Kx>. Acesso em: 18 jun. 2019.

A mobilização comunitária é trabalhada na promoção da saúde, tenta romper o individualismo, que é uma das características principais da sociedade moderna, e se posiciona e se conecta aos movimentos globais em favor do desenvolvimento humano e da vida.
É sabido, também, que a promoção da saúde busca construir espaços saudáveis. Os ambientes de trabalho, com frequência, não estão adequados às condições mínimas de salubridade e convivência. Já em ambientes escolares, há a dificuldade de conter a violência, persistindo pouca integração entre a escola e comunidade, e o desrespeito às diferenças. O estímulo à construção de espaços saudáveis deve ser feito considerando-os território vivo. A ergonomia (Figura 4), por exemplo, é uma das formas de ação em promoção da saúde, por meio da adaptação do ambiente para o trabalhador.

O desafio da promoção da saúde é reorientar os serviços do setor a superarem a fragmentação da assistência à doença. Deve estar em conformidade com a perspectiva da atenção integral às necessidades das pessoas, relacionando o cuidar a ser cuidado, o ensinar a aprender. A promoção da saúde propicia a reflexão sobre a necessidade de os serviços do setor participarem, de forma ativa, das soluções de problemas de saúde na população.
A promoção da saúde engloba planos, políticas e programas de saúde pública que possuam ações voltadas para evitar que as pessoas se exponham a fatores determinantes e condicionantes de doenças. Sobre a promoção da saúde, assinale a alternativa correta:
A saúde e a qualidade de vida são dois temas totalmente distintos, ou seja, não caminham juntos.
Saúde e qualidade de vida são dois temas relacionados e que andam em conjunto, já que a saúde contribui para melhorar a qualidade de vida, e é fundamental ter qualidade de vida para se ter saúde.
A Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde, de 1989, definiu os campos de ação da promoção da saúde.
Em Ottawa, em 1986, foi realizada a Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde, na qual foram estabelecidos princípios éticos e políticos, que dispunham que a promoção da saúde é o processo de capacitação da comunidade, atuando para melhorar a sua qualidade de vida e saúde.
Saúde é um direito humano fundamental reconhecido por todos os foros mundiais e em todas as sociedades.
Saúde é considerada um direito humano fundamental e reconhecido por todos os foros mundiais, e em todas as sociedades. Encontra-se em igualdade com outros direitos garantidos pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948.
A promoção da saúde é de responsabilidade exclusiva do setor de saúde. Os setores político e econômico não se relacionam com essa temática.
A promoção da saúde não é responsabilidade exclusiva do setor de saúde, e vai além de um estilo de vida saudável.
A promoção da saúde se refere às ações sobre os condicionantes sociais da saúde, mas não aos determinantes.
A promoção da saúde engloba ações sobre os condicionantes e determinantes sociais da saúde, o que objetiva impactar favoravelmente a qualidade de vida.
São caracterizadas, pela Organização Mundial da Saúde, iniciativas de promoção de saúde as políticas, os programas e as atividades planejadas e executadas conforme diversos princípios. A promoção de saúde envolve duas dimensões: a conceitual e a metodológica. Sobre essas dimensões e a promoção da saúde, assinale a alternativa correta:
A conceitual envolve planos de ação, práticas, estratégias e formas de intervenção e instrumental metodológico.
A dimensão metodológica da promoção da saúde envolve planos de ação, estratégias, formas de intervenção, além de práticas em saúde.
A metodológica envolve premissas, princípios e conceitos que sustentam o discurso da promoção da saúde.
A dimensão conceitual da promoção da saúde envolve premissas, conceitos e princípios que sustentam o discurso da promoção da saúde. Além dessa dimensão, existe a metodológica.
O desafio da promoção da saúde é propor a desorientação dos serviços de saúde a superarem a fragmentação da doença assistida.
A promoção da saúde tem o desafio de reorientar os serviços de saúde a superarem a fragmentação da doença assistida.
A conceitual envolve premissas, princípios e conceitos que sustentam o discurso da promoção de saúde.
A promoção de saúde envolve duas dimensões: a conceitual e a metodológica. A conceitual envolve premissas, princípios e conceitos que sustentam o discurso da promoção de saúde, e a metodológica, planos de ação, práticas, estratégias e formas de intervenção e instrumental metodológico.
A promoção da saúde não busca construir espaços saudáveis.
A promoção da saúde busca construir espaços saudáveis, como praças, parques, academias ao ar livre, além de um ambiente de trabalho prazeroso e seguro.
A Promoção da Saúde, nos últimos 25 anos, vem sendo elaborada com base em diferentes conceitos e conjunturas, e está relacionada aos determinantes das condições de vida, como saneamento, habitação e padrão adequado de alimentação. As atividades são destinadas ao coletivo e aos ambientes físico, político, econômico e social, e inseridas, na prática, baseadas em políticas públicas e das favoráveis condições que contribuem para o desenvolvimento da saúde e das atividades voltadas a transformar os maus comportamentos e hábitos das pessoas.
Nesta aula, você teve a oportunidade de:
Caro(a) aluno(a), leia o artigo intitulado “Sistema de Vigilância em Saúde no Brasil: Avanços e Desafios”, de autoria de Cátia Martins de Oliveira e Marly Marques Cruz, publicado na revista Saúde em Debate, em 2017. Esse artigo promove uma reflexão acerca do percurso político e organizacional do Sistema de Vigilância em Saúde no Brasil. Foi realizado um estudo exploratório e descritivo, por meio de uma revisão narrativa. As autoras apresentam uma breve trajetória do campo das vigilâncias epidemiológica, ambiental e sanitária em direção a um sistema mais integrado e resolutivo.
Preste a atenção, e reflita sobre o percurso político e organizacional do Sistema de Vigilância em Saúde no Brasil.
“Um restaurante foi interditado, e 15 pessoas estão com intoxicação alimentar”. Quantos casos como esse vemos nas reportagens pelo país todo? É mais comum do que podemos imaginar. Faz parte da vigilância sanitária a verificação e interdição dos estabelecimentos alimentícios, a fim de prezar a boa alimentação/nutrição e qualidade de vida dos usuários.
Geralmente, os técnicos da vigilância sanitária se dirigem até o local e interditam o estabelecimento. As pessoas que manipulam os alimentos são afastadas e orientadas a realizarem novos exames laboratoriais e carteira de saúde.
A Gerência de Promoção e Prevenção em Saúde baseia suas ações na Política de Promoção da Saúde do Ministério da Saúde. Na cidade de Maringá, estado do Paraná, são realizadas algumas ações em promoção da saúde, como organizar a logística do “Saúde no Parque”; planejar, em conjunto com as Unidades de Saúde (UBS), a realização dos “Espaços Saúde”, e apoiar e dar suporte às Unidades Básicas de Saúde para realização dos grupos que promovam o convívio e a inclusão dos usuários.
Além disso, auxilia a adesão e o acompanhamento da realização das atividades do Programa Saúde na Escola, com o monitoramento das UBS para a digitação dos dados no sistema, e acompanha a aquisição e adaptação do ônibus para o Programa Saúde na Escola, em conjunto com a Engenheira da Vigilância.
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